Associação Livre – Psicanálise em Londrina

Trata-se de uma associação, sem fins lucrativos, organizada e sustentada pelo trabalho de seus membros e participantes na direção da produção de um espaço institucional de interlocução e formação permanentes.

CARTÉIS

Espaço em que de três a cinco membros se reúnem em torno de um tema para estudo pelo período de até 24 meses, devendo ao final resultar na produção e apresentação de um texto individual.

TRANSMISSÃO

Atividades de estudo e transmissão da teoria e clinica psicanalítica referenciada nas obras de Freud e Lacan, propostas pelos membros da Associação Livre Psicanálise em Londrina.

ESPAÇOS DE TRABALHO

Atividades de estudo exclusiva para os associados.

DESTAQUE

 

Corpo e Sintoma - Aurélio Souza

  

O CORPO NA PSICANÁLISE

UM CORPO DO SIMBÓLICO
Mesmo que o Sujeito já preexista na linguagem, antes do humano ter sido engendrado, desde cedo ele sofre os efeitos de um envelope sonoro, constituído pela cadeia borromeana, que contém diferentes jaculações de um Outro, que embora não exista, o envolve e o contamina. Trata-se de uma pura voz, que mesmo sem qualquer representação, vem metaforizar o contágio de a-vida e de a-morte, sobre o Sujeito, convocando-o a repeti-los, para produzir seus primeiros apelos e demandas ao “Outro”, para dar continuidade à sua ex-sistência. Com efeito, essa alienação à linguagem transmuda a existência de um “corpo animal”, num leito, que passa a se constituir no primeiro lugar a ser marcado por significantes e letras. Assim, o CORPO torna-se uma superfície para que as primeiras marcas simbólicas se inscrevam, essas que dão lugar ao “verdadeiro corpo, o primeiro corpo [que] é a linguagem … [e] faz com que o segundo aí se incorpore”, como dizia Lacan, em diversos momentos de seu ensino. Essa presença de um corpo do Simbólico, pode, ainda, estabelecer limites toleráveis, para o horror do gozo do Corpo que afeta o Sujeito de uma maneira permanente. É através desse Corpo do Simbólico que o organismo, como um “saco de pele” vai ser preenchido com seus órgãos, que serão transformados em instrumentos de “trabalho” e passam a desempenhar diferentes atividades ou mesmo uma variedade de funções.

UM CORPO DO IMAGINÁRIO
Além dessa operação radical de uma alienação promovida pelo Simbólico, o Sujeito sofre efeitos, também, do Imaginário. Logo cedo, o infans é colocado diante da presença de seu semelhante, experimentando uma discordância entre seu corpo ainda não constituído e essa imagem dos pequenos outros, que o fascina e o captura. A partir dessa alienação à “imagem do outro”, o Sujeito vai estabelecendo, de uma maneira progressiva, o controle de seus movimentos, a condição para intermediar sua relação com os objetos do mundo e até mesmo os limites de sua anatomia. No entanto, vou insistir, esses limites não são estabelecidos pela pele, como geralmente se pensa, mas pela libido que se expande e se contrai, na dependência da linguagem e das pulsões. O que é essencial, no entanto, nessa condição do Estádio do Espelho é que ela não se resume a um puro jogo de imagens. De uma maneira simultânea à relação com o semelhante, com o “outro”, o Sujeito vai, também, recebendo informações do que ele é e quem ele é, fixando à imagem traços significantes e outras marcas simbólicas, possibilitando que o CORPO vá adquirindo diferentes “formas” e “superfícies”. Uma condição que vem se constituir na fonte do narcisismo e que vai servir de matriz para uma sucessão de outras identificações imaginárias, que vão se sucedendo, até que uma delas venha determinar uma identificação resolutiva, que funda o Eu e a imagem do Corpo.

UM CORPO DO REAL
Trata-se de um Corpo em que a anatomia não é o destino e, assim, ele não corresponde a uma unidade imaginariamente unificada e perceptiva, mas de uma maneira assintótica, o Corpo fica constituído num tipo de fisiologia excluída e, dessa maneira, adquire o estatuto de uma função que vai estar implicada a uma “substância de gozo”. Esse Corpo do Real concerne também à noção do sexo, onde sob essa substância de gozo, a condição de ter nascido “macho” ou “fêmea”, não se constitui na condição necessária e nem mesmo suficiente, para se estar do “lado Homem” ou do “lado Mulher”, numa análise. As posições sexuadas identificadas através das fórmulas da sexuação, contemplam essa condição que Lacan nomeou de “Homem com cor de mulher” e de “Mulher com cor de homem” e, por isso mesmo, embora a diferença anatômica dos sexos, possa ser levada em conta, a prática analítica, não contempla essa condição anatômica, pois a forma e a genética perdem sua importância e deixa de ser o destino, para instituir essa diferença entre os sexos. Essa noção, portanto, do Corpo do Real, quando concerne aos gozos, vai considerar que o Corpo, quando goza com valor de Homem, ou com valor de Mulher, depende dos efeitos de dois “Discursos”, que afetam o Sujeito, se o “Discurso Homemsexual”, ou o “Discurso do Outro sexo”, respectivamente, implicados nas fórmulas da sexuação. A noção do Gozo pode encontrar várias expressões numa análise, mas, em última instância, é sempre “gozo do Corpo”. Assim, o Sujeito só goza do Corpo que o sustenta.

Cada um destes três Corpos, está implicado aos outros dois, considerando que se a cadeia borromeana faz UM, esta estrutura formada por três corpos funciona, também, como um UM, produzindo diferentes tipos de gozo – gozo fálico, gozo do Corpo, gozo-sentido e, ainda, gozo do próprio objeto (a) – que comprometem o Sujeito e que o convoca, desde cedo, a aprender, como se desembaraçar destes efeitos. Sobre estas questões, trabalharemos em nossa atividade, aqui, em Londrina.

Aurélio Souza

Inscrições: alpl.2019.corpoepsicanalise@gmail.com

Fique por dentro

Receba as ultimas novidades no seu e-mail!

© Copyright - Associação Livre Psicanálise Londrina.