O que se Repete na Violência?

Bom dia, meu nome é Silvia Siste, sou membro da Associação Livre e hoje trouxe a vocês algumas questões referentes ao nosso eixo de trabalho desse ano – a repetição – articuladas uma questão que me mobiliza bastante, que é a violência.

Pensar sobre o conceito de repetição me parece muito oportuno, já que quem me acompanha na Associação deve ter percebido que a violência é um tema recorrente em meus trabalhos. Para quem não me conhece, é preciso indicar de onde vem minha questão.

            Trabalho em uma unidade do CREAS – PAEFI, que é um serviço da Política Nacional de Assistência Social que atende indivíduos e famílias onde um ou mais de seus membros tem algum direito violado e no caso do CREAS III, onde atuo, são crianças e adolescentes e seus familiares que estão em situação de violência.

            Ao organizar essas considerações optei por dividir com vocês o que venho construindo, o que tenho entendido até o momento sobre o que faz com que crianças sejam alvo de tanta agressão.

            O que chega até nós no CREAS III não é um tapa no bumbum; são orelhas com lesões, marca de cinta na perna, mordida no rosto, relatos de abusos sexuais cometidos por pais, avós, padrastos, tios, com conivência ou não da mãe e/ou outros membros da família, da vizinhança, dos serviços. São crianças fora da escola, fora de casa, fora da ordem da civilização e isso dói, dói nelas, dói nos familiares, dói nos profissionais que se debruçam sobre isso que chamarei, por minha conta e risco, de “clínica da violência”.

            Isso porque no CREAS III nós, psicólogos, assistentes sociais, educadores e educadores sociais não praticamos a modalidade clínica, pensada como um consultório, com hora marcada, com um atendimento com duração X. Desenvolvemos trabalho psicossocial, trabalhando sempre que possível numa modalidade interdisciplinar e intra-serviços, como Ministério Público, Poder Judiciário, UBS, CRAS, Conselhos Tutelares, hospitais. É muita gente.

            Assim, uso o termo clínico, num sentido estrito, para me referir a um tipo de escuta, que busca na etimologia da palavra clínica sua verdadeira razão de ser: clínica, do grego “Kliné”, que significa inclinar-se sobre, como os antigos médicos faziam sobre seus pacientes, observando e tentando entender o que aqueles indícios de sofrimento queriam dizer e como trata-los a partir de então.

            Assim, é possível, numa modalidade psicossocial, inclinar-se sobre uma criança, um adolescente, uma mulher, um homem, uma avó, um tio, e ouvir o que eles trazem e geralmente, trazem muita coisa.

            É importante salientar que não se trata aqui de se propor a prática da psicanálise na instituição, pois entendo que os dispositivos institucionais não permitem transposições de uma prática à outra e nem seria desejável, são trabalhos diferentes. Mas trago alguns recortes da prática institucional porque eles me convocam a pensar sobre um conceito eminentemente clínico – a repetição – e como avançar no entendimento desse conceito pode auxiliar em minha escuta, na clínica ou fora dela.

            Uma das primeiras coisas que aprendi nesse ofício é que a violência contra a criança, o adolescente, a mulher, é a mesma violência. Poderia incluir aí os homens, porém, estes eu ouço pouco. Isso porque na nossa cultura as mulheres ainda são maioria quando se trata de se ocupar de filhos, netos, sobrinhos. Mas mesmo nestes casos é possível ter notícias de que, mesmo quando o homem é autor de violência, sua história não é muito diferente daquela que traz seu filho ao CREAS III: cuidador/cuidadora etilista, ou usuário de outras substâncias psicoativas, histórias de abandono, situação de rua, cuidadores com demandas para a saúde mental, mas que nunca procuram ajuda, pois não têm recursos para tal. Há ainda situações de pobreza, que intensificam as vulnerabilidades que já estão postas: vínculos fragilizados, saúde precária, pouca ou nenhuma qualificação para o trabalho formal, falta casa, falta lar, falta ar. E no meio de tanta pressão não respiram e se agridem. E como a criança é o lado frágil onde arrebenta a corda….

            Mas minha prática me mostra também que não é só nos lares empobrecidos que a violência ronda como assombração. A violência está em todos os lugares. Entretanto, o trabalho do CREAS III me ensinou que se a violência iguala ricos e pobres no potencial agressivo, separa-os no acesso dos serviços às situações de violência. A privacidade é um luxo destinado às famílias mais abastadas, e nem por isso menos violentas.

            Há também uma inquietação minha, que gostaria de compartilhar com vocês, que tem a ver com o que socialmente se entende por violência. Não falo da violência conceitual, que consta na definição dos estudiosos, do Google, ou das cartilhas que definem o que é violência e o que é contra lei. Me refiro a uma das modalidades de violência que o CREAS III atende, violência física intrafamiliar contra a criança, aquela que acontece no seio da família, cometida por algum suposto ente querido, muitas vezes nem tão querido assim. É que esta é uma modalidade de violência mais visível em tese, pois deixa frequentemente, marcas no corpo, principalmente se comparada a uma outra forma de violência nefasta, que é a violência ou abuso sexual,  que é mais silenciosa. A violência física, apesar de barulhenta e visível, torna-se invisível quando se entende que esta é uma forma legítima de educação, que a criança em questão pediu para apanhar, afinal de contas, “essa criança é impossível”.

            Lembro-me de uma bela menina, que aos oito ou nove anos, num acesso de fúria da mãe, esta mordeu-lhe o rosto. Já havia outras muitas agressões, o Conselho Tutelar já rondava esta criança e com a mordida, começou seu calvário: ora morava com uma avó, paterna, ora voltava com a mãe. A situação insustentável levou-a ao acolhimento institucional. Para meu grande espanto, ao perguntar para a mãe social como estava a criança lá, ouvi uma série de queixas sobre a menina e, no seu entendimento, se a mãe agia desta forma com ela era porque a garota mereceu. A frase não foi formulada de forma tão explícita, como coloco aqui, mas trago este exemplo para mostrar a vocês que mesmo os agentes de proteção escorregam muitas vezes em seu entendimento no que vem a ser violência contra criança e adolescente e as consequências desta violência para a vida de quem está em franco processo de constituição e desenvolvimento.

            O que incomoda é que, apesar de todos os aparatos protetivos, como Varas Especializadas de Proteção, Conselhos Tutelares, CREAS, Estatuto da Criança e Adolescente que já atingiu a maioridade faz tempo, ainda chega até nós crianças violentadas aos borbotões. Não digo com isso que não temos avançado. Os órgãos de proteção estão dando vez e voz para quem nunca teve, já que a violência contra criança e adolescente não é um fenômeno moderno.

            Uma outra questão interessante para nossa análise é o quanto a violência  incomoda. Constato, e quem trabalha com violência sabe, que este é um tema que não convoca muito, é ruim de ouvir. Com o tempo fui aprendendo que, se numa roda de conversa alguém me dirige a célebre frase: “E você, trabalha com o que?” , tenho duas alternativas: se quiser dar continuidade a conversa, digo que trabalho com crianças e adolescentes, mas se eu disser que trabalho com crianças e adolescentes que sofrem violência a chance da conversa terminar por ali é enorme. É visível o constrangimento das pessoas, o mal estar e quase sempre o comentário, “Nossa, deve ser pesado”. Porque é mesmo

            Diante do que expus, me resta então pensar o que leva tanta gente a ferir, maltratar, ameaçar pessoas que deveriam ser cuidadas, protegidas e amadas, como no caso das crianças? Não tem algo aí fora de lugar? Mas também tem os efeitos que a violência surte em cada um que sofre, que pratica e que vive a violência como espectador, seja ativo ou passivo. O título que dei a este trabalho também poderia ser: “A violência de todos nós”, porque ela é nossa, ela tem a ver comigo, com meu vizinho, violência não é do outro. É importante essa questão, por mais incômoda que pareça, pois a violência é um fenômeno tão grande, tão complexo, que um serviço sozinho não dá conta, um profissional sozinho não faz verão e o entendimento do caso a caso se faz urgente.

            Fui, então, reler um texto de Freud, de 1933, intitulado “Por que a Guerra?” que, apesar de distante em cronologia, assombra pela atualidade das questões que aborda. Trata-se, na verdade, de uma troca de correspondências entre Einstein e Freud, promovido pelo Instituto Internacional para Cooperação Intelectual existente na época, que estimulava a “troca de correspondências de profissionais de renome a respeito de assuntos destinados a servir de interesses comuns à Liga das Nações e à vida intelectual” (p. 191) e tal órgão publicava as cartas que dali surgiam.

            Einstein foi escolhido e sugeriu o nome de Freud para uma interlocução. O ilustre físico questiona o Dr. Freud, devido a seu “profundo conhecimento da vida instintiva do homem” (p.193), se existia alguma forma de livrar a humanidade da ameaça da guerra. O próprio Einstein vai tecendo considerações acerca do que entendia como motivação para que homens e nações guerreassem, considerações estas que Freud concorda ao longo de toda sua resposta, mas que comenta todas elas e vai além. 

            Freud inicia a discussão, a partir de um apontamento de Einstein, relacionando direito e violência. O pai da psicanálise considera que embora ambos os conceitos se afigurem como antíteses, uma se desenvolveu da outra. Freud afirma: “É pois um princípio geral que os conflitos de interesses entre homens são resolvidos pelo uso da violência.” (p. 199). Usa deste argumento para dizer que desde os primórdios da civilização, nas primeiras hordas, este princípio já era válido. E acrescenta que com a substituição da força muscular pelo uso de instrumentos, a partir do momento em que armas foram introduzidas, a superioridade intelectual começa a substituir a força muscular bruta. Porém os fins continuam sendo os mesmos, ou seja, a dominação por parte de qualquer um que tivesse poder maior, “a dominação pela violência bruta ou pela violência apoiada no intelecto” (p. 198)

            No transcurso da evolução foi-se trilhando um caminho que partia da violência em direção ao direito e à lei, com o reconhecimento que a força de um grupo de indivíduos se contrapunha à força superior de um único homem. Nas palavras do Mestre “Vemos, assim, que a lei é a força da comunidade.” ( p.199) Mas faz também o seguinte comentário: “A única diferença real reside no fato de que aquilo que prevalece não é mais a violência de um indivíduo, mas  a violência da comunidade.” (p.199)

            Para que este novo sistema de direito ou justiça se mantenha é necessário que haja uma condição psicológica a ser preenchida: a transferência de poder para uma unidade maior, suplantando assim a violência, só é possível quando há laços emocionais unindo seus membros, laços estes que Freud denomina identificação.

            Mas Freud aponta que é impossível estabelecer julgamento geral das guerras de conquistas, ele cita algumas para mostrar, ao meu entender, que nossa análise deve contemplar o caso a caso, o particular. E aqui eu pego um gancho para dividir com vocês o que de fato este texto me inspira para meu trabalho.

Frente a um comentário de Einstein que demonstrava surpresa ante ao fato de ser tão fácil inflamar nos homens o entusiasmo pela guerra, Freud apresenta sua teoria das pulsões, que na versão brasileira foi equivocadamente traduzida por instinto.

Freud descreve que as pulsões são de dois tipos: aquelas que tendem a preservar e a unir, denominadas eróticas ou sexuais e aquelas que tendem a destruir e matar, as chamadas agressivas ou destrutivas. Acontece que tais pulsões são iguais em importância e os fenômenos da vida surgem da ação confluente ou mutuamente contrária de ambas. Freud assim exemplifica: “(….) o instinto de autopreservação certamente é de natureza erótica; não obstante, deve ter à sua disposição a agressividade para atingir os seus propósitos.” (p. 203).

O pai da psicanálise se aprofunda na questão afirmando que as pulsões destrutivas estão em atividade em toda criatura viva e procura levá-la ao aniquilamento e reduzir à vida à condição de matéria inanimada, merecendo por isso ser denominada pulsão de morte, ao passo que as pulsões eróticas representam o esforço de viver.

Explica que a pulsão de morte torna-se destrutiva quando, com auxílio de órgãos especiais é dirigida para fora, para os objetos, preservando a própria vida, destruindo a vida alheia. No entanto, uma parte da pulsão de morte continua atuante dentro do organismo e essa internalização provoca os mais variados fenômenos, sejam eles normais ou patológicos.

Assim se essas forças se voltam para a destruição do mundo externo, o organismo se aliviará e o efeito deverá ser benéfico. E conclui que não há maneira de eliminar totalmente os impulsos agressivos do homem, mas sim tentar desviá-los para que não necessitem encontrar expressão na guerra.

A saída que Freud aponta para este desvio situa-se justamente em seu antagonista, a pulsão de vida: O médico austríaco afirma: “Tudo que favorece o estreitamento dos vínculos emocionais entre os homens deve atuar contra a guerra” (p. 205). E classifica tais vínculos em dois tipos: o amor, sem a finalidade sexual e a identificação. Diz Freud: “Tudo que leva os homens a compartilhar de interesses importantes produz essa comunhão de sentimento, essas identificações” (p. 205)

O texto de Freud apontou-me que há algo entre pulsão de morte e repetição que se articula com a violência, mas até aqui não me foi possível avançar em minha questão.

Foi então que encontrei em um artigo de Ilka Franco Ferrari alguns elementos que me ajudaram a pensar as relações possíveis entre violência e repetição. Auxiliou-me a distinção feita pela autora entre os conceitos de agressividade e violência para o campo da psicanálise. De acordo com Ferrari (2006) a agressividade está circunscrita à estruturação do eu, enquanto a violência se ordena em torno da lógica que implica a entrada do vivente no campo da linguagem. Para Ferrari, na psicanálise a violência é vista sempre em um referencial que mostra que o encontro com a linguagem não é sem consequências para o humano.  Para ela compreender a violência por meio da Psicanálise supõe adentrar-se na constituição do laço social, considerar os discursos que imperam em dado contexto histórico e não perder de vista as formas como os sujeitos são capazes de responder aos mesmos já que a pulsão está presente também em momentos pacíficos. No entanto, não me conduzi por estes caminhos.

 A autora aponta ainda que, com referência à agressividade, tanto Freud quanto Lacan situam-na como constitutiva do eu, na base da constituição do eu e na sua relação com seus objetos. Diz que ambos os autores não negam sua existência, ao contrário, afirmam a agressividade na ordem humana, ordem libidinal. Existe a agressividade, mas ela pode ser sublimada, pode ser recalcada, não precisa ser atuada, pois o humano conta com o recurso da palavra, da mediação simbólica.

            No tocante à repetição, Ferrari afirma que ela mostrou à Freud que, em nome do princípio do prazer, a criança se aliena no Desejo do Outro, falando em termos lacanianos. Mostrou a ele que havia algo da ordem de uma compulsão à repetição, havia algo mais além do princípio do prazer, além e diferente do que havia sido chamado repetição. ”Era a pulsão de morte escancarando ao autor o fato de haver no humano uma tendência de retorno à ordem inanimada (…).” (p.55)

            Ferrari discute ainda que Lacan avança nessa discussão, ao considerar a violência própria da linguagem sobre o vivente que ao nascer, encontra o Outro do discurso. Nesse encontro ocorre a violência de alienar-se na lei dos significantes que são sempre do outro e finaliza afirmando que, além disso, há a violência própria à separação  do Outro, inerente ao processo de constituição subjetiva do sujeito,  tirando-o da alienação significante.

Assim, nesse percurso teórico, deparei-me com a violência que é a entrada do vivente no mundo da linguagem, da perda de gozo que implica esta entrada, perda do instinto, de sua condição natural para tornar-se um ser de sexo e de linguagem

O bebê humano, ao adentrar nesse mundo chega com a necessidade (de alimento, de abrigo) e essa necessidade traz dor. Diante do puro grito que o outro entende como um chamado, esse que toma o bebê nos cuidados satisfaz com o alimento, diminuindo a excitação. Na próxima situação de satisfação já há um traço mnêmico, uma marca e a segunda experiência não é igual à primeira. Entre o esperado e o encontrado há um hiato, um espaço, um encontro, que Lacan denomina encontro faltoso, ao qual somos sempre chamados com um real que escapa.

No centro deste encontro faltoso está a noção de objeto perdido, que nunca existiu. Diante da falta-a-ser do objeto de desejo, do objeto metonímico, o sujeito sai em busca desse objeto, desse objeto falido, essa é a razão mesma da estrutura do sujeito.

 

Pensar na violência que é própria à constituição do sujeito me faz pensar que é por isso que crianças e adolescentes para mim são tão caras, no sentido duplo que esta palavra carrega: tão queridas, tão custosas. Custa-me ouvir uma criança ou adolescente responder a partir de um lugar de dejeto, de lixo, de ser jogado fora. Custa-me ver um jovem tão jovem, transgredindo a lei, colocando-se em risco por ser esta parte que lhe cabe neste latifúndio, que me permita a paráfrase, João Cabral de Melo Neto. Porque lhe coube na vida este lugar.  Ao ouvir este garoto, garota mais de perto vemos que o que ele faz contra alguém sempre se volta contra ele. Daí a importância de emprestar a orelha, ouvir de um lugar onde o social não ouve e pensar o que é possível fazer a partir daí.

A violência se manifesta porque o humano é de fato violento. É a sua condição, não dá para escapar a ela. Ou melhor, o humano possui um potencial agressivo, cuja existência depende em parte dela. Penso que a violência incomoda, porque a agressividade do outro me põe em contato com a minha, ás vezes tão escondida, às vezes nem tanto.

 Mas agressividade não é sinônimo de agressão, nem toda finalidade é o aniquilamento próprio ou do outro. Freud, ao final de sua carta a Einstein, comenta o processo de civilização pelo qual tem passado a humanidade, que ele chama também de “evolução cultural”. Afirma que é a esse processo que devemos o melhor daquilo que nos tornamos, bem como uma boa parte do que padecemos, pois em mais de um sentido esse processo prejudica a função sexual. Considera que as modificações psíquicas que acompanham o processo de civilização consistem num progressivo deslocamento dos fins pulsionais e numa limitação imposta aos impulsos pulsionais. Este é o preço que pagamos para vivermos com o outro, numa existência possível, mas não sem uma quota de mal estar.

Desta forma, é possível transformar a pulsão em obra, “opus” na sua origem latina. A pulsão tem essa característica, pode modificar sua finalidade, sem mudar a sua essência. Assim, a agressividade pode se voltar aos esportes, aos estudos, a um trabalho humanitário, uma roda de hip hop.

Assim se deu com Rita (nome fictício) cuja agressividade se manifestava em casa, na rua, na escola. Brigas e mentiras faziam parte de seu repertório constante, ameaças a colegas de escola. Vinda ao CREAS quando tornou público o abuso que vinha sofrendo praticado pelo padrasto, pode falar do sentimento de culpa, da dor de não se saber autora ou vítima de uma situação que a colocava sempre no limite, seu e do outro. Rita foi se sabendo aos poucos, podendo tomar partido de sua força nas aulas de educação física, nas corridas de atletismo. Encontrei Rita muitos anos depois, numa audiência, uma menina linda. Disse-me: “Estou bem, estou tranquila” e eu fiquei ainda melhor.

Tenho dificuldades de encerrar assuntos, gosto de falar e de ouvir. Assim uso das palavras de Adélia Prado, que sabe transformar a palavra em obra.

Diz a autora: “A vida é tão maravilhosa que não tem jeito de se pôr um ponto final.”

Muito obrigada.

 

Autora: Silvia Helena de Rezende Siste Maia

 

Referância Bibliográfica

FERRARI, Ilka Franco. Agressividade e Violëncia.  Scielo. Psicologia Clínica, Rio de Janeiro. 2006, n.2, p.49-62. Disponível em www.scielo.br/php?script=sci_arttex&pid=S0103-56652006000200005

FREUD, Sigmund (1933). Por que a guerra.In: Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, 1996, v.XXII, p.191-208.

LACAN, Jacques. A agressividade em psicanálise. In: Escritos. Rio de Janeiro, Zahar, 1998, p.104-126.